Antigo Testamento · AS21
Salmos 69
1Ó Deus, salva-me, pois as águas sobem até o meu pescoço. 2Atolei-me em lamaçal profundo, onde não se pode firmar o pé; entrei nas profundezas das águas, onde a corrente me submerge. 3Estou cansado de clamar; minha garganta secou-se; meus olhos desfalecem de tanto esperar pelo meu Deus. 4Aqueles que me odeiam sem motivo são mais do que os cabelos da minha cabeça; são poderosos os que procuram destruir-me, os que me atacam com mentiras. Por isso, tenho de restituir o que não extorqui. 5Ó Deus, tu conheces bem minha insensatez, e minhas culpas não te são ocultas. 6Não fiquem frustrados por minha causa os que esperam em ti, ó SENHOR, Deus dos Exércitos; não passem vexame por minha causa os que te buscam, ó Deus de Israel. 7Porque por amor a ti tenho suportado afrontas; meu rosto se cobriu de vexame. 8Tornei-me um estranho para meus irmãos, e um desconhecido para os filhos de minha mãe. 9Pois o zelo pela tua casa me consome, e as afrontas dos que te afrontam caíram sobre mim. 10Quando chorei e jejuei, isso se tornou motivo de insulto. 11Quando me vesti de pano de saco, fui alvo de zombaria. 12Aqueles que ficam na entrada da cidade falam de mim; e sou objeto das cantigas dos bêbados. 13Eu, porém, faço minha oração a ti em tempo aceitável, ó SENHOR; ouve-me, ó Deus, pela grandeza do teu amor, pela fidelidade da tua salvação. 14Tira-me do lamaçal e não me deixes afundar; que eu seja salvo dos meus inimigos e das profundezas das águas. 15Não permitas que a corrente das águas me faça submergir, nem que o abismo me devore, nem que a cova me engula. 16Ouve-me, SENHOR, pois o teu amor é grande; volta-te para mim pela tua imensa compaixão. 17Não escondas do teu servo o teu rosto; ouve-me depressa, pois estou angustiado. 18Aproxima-te de mim e salva-me; resgata-me, por causa dos meus inimigos. 19Tu conheces minha humilhação, minha vergonha e meu vexame; todos os meus adversários estão diante de ti. 20Afrontas quebrantaram meu coração; estou debilitado. Esperei por compaixão, mas nada achei; esperei por consoladores, mas não os encontrei. 21Deram-me fel para comer, e quando senti sede me deram vinagre para beber. 22Que a mesa deles se transforme em um laço, e suas ofertas pacíficas, em uma armadilha. 23Que os seus olhos se escureçam, para que não vejam; faze com que o corpo deles trema constantemente. 24Derrama tua indignação sobre eles, e que o ardor da tua ira os alcance. 25Fique deserta sua habitação, e ninguém habite nas suas tendas. 26Pois perseguem a quem afligiste, e aumentam a dor daqueles a quem feriste. 27Aumenta o pecado deles, e não lhes permitas encontrar absolvição no teu julgamento. 28Sejam riscados do livro da vida, e não sejam inscritos com os justos. 29Eu, porém, estou aflito e triste; ó Deus, que tua salvação me ponha em um alto refúgio. 30Louvarei o nome de Deus com um cântico, e o engrandecerei com ação de graças. 31Isso agradará mais o SENHOR do que um boi, ou um novilho com chifres e cascos. 32Vejam isso os humildes e se alegrem; vós, que buscais a Deus, animai o coração. 33Porque o SENHOR atende aos necessitados e não despreza os seus, embora sejam prisioneiros. 34Louvem-no os céus e a terra, os mares e tudo quanto neles se move. 35Porque Deus salvará Sião e edificará as cidades de Judá; seus servos habitarão ali e dela tomarão posse. 36A descendência de seus servos a herdará, e os que amam seu nome nela habitarão.